domingo, 30 de maio de 2010


"Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece..."


Clarice Lispector

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Quando a maré encher


sábado, 8 de maio de 2010

Passageiro Sombrio


Eu só sei que existe algo sombrio em mim.
E eu escondo.
E certamente não falo sobre.
Mas está lá, sempre.

Esse passageiro sombrio.
Quando ele está dirigindo eu me sinto vivo.
Meio mal de ter essa sensação de estar totalmente errado.

Não luto contra eles, não quero.
É tudo que tenho.
Nada mais poderia me amar,
Nem eu mesmo.

Ou é só uma mentira que o passageiro da escuridão me conta?
Pois existem momentos ultimamente em que me sinto...
Conectado a algo mais, alguém.

É como se a máscara caísse.
E coisas, pessoas, que nunca tiveram a mínima importância...
Passam a ter.
Isso me assusta muito.

Essas coisas me fazem parecer humano,
Nunca achei que poderia me ver humano um dia.
Talvez este dia esteja mais próximo que eu mesmo imagino.

Mein Kampf


Se os olhos são a janela da alma,
Então a mágoa é a porta,
Enquanto estiver fechada.

É a barreira,
Entre o saber e não saber.
Fuja e ela continuará fechada...
Para sempre

Mas abra,
E a atravesse.
E a dor se tornará verdadeira.

E agora tenho que encarar a luta,
Pela minha própria sobrevivência,
Que eu sempre soube que chegaria

Eu estive me preparando para isso,
A minha vida...
Inteira

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Preso

Não desejo mais sangrar a vida
preso num engarrafamento...
Numa lâmpada;
num elevador;
numa torre;
numa consciência;
numa igreja;
numa palavra;
num destino;
numa idéia;
numa mágoa;
num coração apertado;
num vazio...
Num eu.




extraído de: http://verticontes.blogspot.com/2009/09/preso.html

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Baiser ton corps


Je te regarde dans les yeux
Je vois ton feu brûler
Ta folle volonté sur moi
Tes mains chaudes me pressent

Je te touche la visage
Je sens ta peau rougir
Chauffer
Et me désirer

Couche sur moi
Posséde-moi
Je veux te montrer mes secrets
Prendre à l'infini

Quand la folie trouvera
Sens moi complètement
Permets la vie aller à elle même
Et reposer le plaisir

quarta-feira, 24 de março de 2010

Metaforas da Lua

Estou agoniado com alguma coisa, mas não sei o que.

nem idéia?

Não

Qual tipo de agonia?

De querer sair correndo atras da lua

E porque não?

Imagina que cena não seria?!

ninguém vai te ver, a não ser a Lua

Proposta tentadora

Vai

Quem dera

Vaaaai Rafa... Corre lá

O que adianta correr atrás do que nunca terá,pelo prazer da corrida? Um prazer fundado num desejo impossível e que certamente morrerá de cansaço e lágrimas?

Mas ainda assim um prazer...

Sem esperanças e que findará em puro desespero

Grandes pessoas fizeram coisas grandes que muitas disseram que era impossível

Realmente acha possível pegar a lua correndo atrás dela? Prefiro deixá-la se afastar, aos poucos, contemplar sua beleza ao longe, à noite. Porque quando minha esperanças acabam ela estará brilhando forte, mesmo longe de mim, mesmo que não saiba que sofro estará erguida firmemente. Durante o dia tentar levar a vida, com a esperança que logo mais ela voltará a brilhar

Você está perdidamente apaixonado pela Lua

Sou eterno apaixonado pela lua, mesmo sendo amante do sol

Poderia dizer muita coisa sobre tudo que você falou... mas não sei... Também me apaixonei pela Lua... Mas acho que a amo exatamente por saber que ela nunca vai ser minha

Não quero que ela seja minha somente, quero poder tocá-la senti-la, experimentá-la mais de perto

Quer experimentar com mãos humanas o sagrado? Os deuses (gregos) não permitem

Quem sabe? Talvez um dia, gosto da teoria que os deuses invejam os mortais porque quando se juntam duas almas eles ficam tão equilibradamente perfeitos que se tornam independentes dos deuses. O que dizer de Psique? Ela não era mortal? Pois ela pisou no Olimpo

sexta-feira, 19 de março de 2010

PRO-FUNDO


Te queria perto
Não sei se um dia terei
Não sei até quando suportarei
Esse futuro incerto

Teu medo me machuca
Teu receio me fere
E muito te enlouqueces
Nessa ânsia que te assusta

Acho que se acostumou
Pois sempre volto a você
Pensas que meu amor estancou
Tudo o que me faz sofrer

O que não percebe
Tudo o que tua fuga me faz
Nem tudo que emerge
Deste coração fugaz

Me olhe nos olhos
Me encare de frente
Me retire da prisão dos poços
Nos quais me afundo levemente

domingo, 14 de março de 2010

Mal Intento

Mi canto no es más que un mal intento
De alejarte un instante de mi pensamiento

Pasan los meses
Como pasa el rumor de un río
Cambian la estaciones
Y no se me pasa el frío
Sigo esperando
Encontrar una manera
De acostrumbrarme a esta casa
En la que nadie me espera

Si dejaras entrar un rayo de luz
Y sintieras tan solo una vez
Lo que yo siento
Sabrías que

Mi canto no es más que un mal intento
De alejarte un instante de mi pensamiento

Y fuimos por unos meses
Dos ingredientes de una receta
Fuimos dos flores distintas en una misma maceta
Y todo tiene su tiempo
Tanto lo dulce como lo amargo
No hay pena ni gloria
Que un día no pase de largo

Si dejaras entrar un rayo de luz
Y sintieras tan solo una vez
Lo que yo siento
Sabrías que

Mi canto no es más que un mal intento
De alejarte un instante de mi pensamiento



Composição: Jorge Drexler

Vermelhas e perfumadas


Sem você não há canção

Sem você não há cor

Sem você não há perfume


Sua voz me acalma

Seu olhar me traz alento

Sentir seu cheiro me seduz


Por que escondes de mim seus dons?

Por que não mais encontro a beleza de seus olhos?

Por que ocultas de mim teu mais doce toque?


O medo que te paralisa é a coragem que me cerca

O anseio que te consome é a força que me seduz

A máscara que te prendes é o impulso de meus atos


Não sei como te resgatar

Apenas sei que estou aqui

Sempre a te esperar

quarta-feira, 10 de março de 2010

Utopia

O sucesso não sobe na cabeça das grandes pessoas,
Sobe na cabeças das pessoas fracas,
Nós não somos pessoas fracas,
Se fossemos fraco,
Agente tinha desistido desta dificil caminhada,
A maioria do que se ouve é as pessoas maldizendo
Dizem que nunca poderiamos voar,
Que não devemos sonhar
e nós estamos aqui
Eternos sonhadores
Que voam na imaginação
Imaginação que conduz a eternidade

Fogo

Momentos ruins eu já vivi
mas nunca parei de cantar
e esse fogo no meu peito
que nunca vai se apagar

sábado, 27 de fevereiro de 2010

O CENTRO DAS ATENÇÕES

Os cientistas estudam e pesquisam incansavelmente para descobrir a cura do câncer, a vacina para a Aids e tantas outras soluções que aplaquem as doenças que nos rondam. Enquanto isso, os psicanalistas tentam aliviar nossas doenças da alma, nossos solavancos do coração. Mas como nem todos têm condições de pagar umas visitas ao divã, tentam sozinhos descobrir a cura para este mal que já afligiu, aflige ou ainda irá afligir 100% da população: a dor-de-cotovelo.

Como amor é assunto recorrente desta coluna, muitos acham que tenho a fórmula mágica para aniquilar as dores provocadas pela paixão. Tenho nada. Tenho são os meus palpites. E uma antena que capta frases, depoimentos, tudo o que possa ajudar. Um dia desses uma leitora me escreveu um e-mail simpático, dizendo que havia lido ou escutado em algum lugar uma coisa que ela achava que fazia sentido:

"O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções".

Faz, sim, todo o sentido. Na hora da saudade, da tristeza, do desamparo, é com ele que contamos: o tempo. Queremos dormir e acordar dez anos depois curados daquela idéia fixa que se instalou no peito, aquela obsessão por alguém que já partiu de nossas vidas. No entanto, tudo o que nos invadiu com intensidade, tudo o que foi realmente verdadeiro e vivenciado profundamente não passa. Fica. Acomoda-se dentro da gente e de vez em quando cutuca, se mexe, nos faz lembrar da sua existência. O grande segredo é não se estressar com este inquilino incômodo, deixá-lo em paz no quartinho dos fundos e abrir espaço na casa para outros acontecimentos.

Nossas atenções precisam ser redirecionadas. Ficar olhando antigas fotos, relendo antigas cartas ou lembrando antigas cenas é tirar a dor do quarto dos fundos e trazê-la para o meio da sala. Evite. O tempo só será generoso na medida em que você usá-lo para fazer coisas mais produtivas: procurar amigos sumidos, praticar um esporte, retomar um projeto adiado, viajar. As atenções têm que estar voltadas para os lados e para a frente. O quartinho dos fundos tem que ficar fechado uns tempos, a dor mantida em cativeiro, sem ser alimentada. Amores passados contentam-se com migalhas e sobrevivem muito: ajude-se, negando-lhes qualquer banquete. A fartura agora tem que ser de vida nova.


Martha Medeiros

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Jogral de um funeral

Não quero que se preocupe

Não quero que se culpe

Não quero que se ilude

Nem quero que me mude



Entre barcos perdidos

Entre passos descompassados

Entre faróis apagados

E corações desgovernados


Tudo muda

Tudo faz firula

Tudo julga

A tudo anula


Pensamento disperso

Sonho desconexo

Perdido no universo

Em meu mundo submerso


Amor não se magoa

Pois quem ama perdoa

Põe no coração e voa

Sentido brisa e garoa


Não se pode esquecer

Que nem tudo se pode ter

Só posso me entristecer

Por não ter você


Digo adeus

Aos olhos seus

A tudo que morreu

Em sentimentos só meus