Não quis te dizer tudo que sentia. Mentira, queria sim, mas
não faria sentido. O que sinto é meu interesse por você, isso é verdade. Mas
o que você sente não é interesse por mim. Sendo assim, não faria sentido dizer
tudo que está no meu coração. Todos os versos e sonhos, todas as lágrimas e os
pesadelos. Mas não me preocupo porque apesar de estar tudo escuro agora o sol
vai raiar amanhã novamente e, com ele, renascem minhas esperanças.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Palavras...
As vezes soltas
Como jogadas ao ar
As vezes presas
Saindo, resistindo a
liberdade
Muitas vezes molhadas
Banhadas em lágrimas
Ora de alegria
Ora de dor
São como poção
Dependendo da
quantidade
São ótimos remédios
Ou perigosos venenos
Grande se faz aquele
que sabe usá-las
Mestre são os que as
dão valor
Grande e misterioso
mundo
São as palavras
Por mim valeu...
E você surge da
confusão
Da confusão de uma
noite
De vários copos
De vários corpos
Depois dos copos
Dos corpos
Dos corres
Te encontro
E como quem não quer nada
Me chama
Me chama
Me ganha
No sorriso
Nada é relapso
A vida é atenta
Te traz
Nos faz
Nesse fazer
Encontros
De lábios
De corpos
sábado, 29 de setembro de 2012
Hecceidade
Como se manter firme diante das lagrimas de outra face. Como
esclarecer um sentimento diante de uma escuta surda. Surda não por não querer
ouvir, mas surda pela dor que sente. Dor essa que vem pela expectativa que eu
fosse quem não sou. Mas quem eu sou? O que eu sou? Sou eu. Isso basta? Parece que
não. Ainda faltam adjetivos que clarifiquem quem sou. Mas de que adianta os adjetivo
quando nenhum deles expressa quem sou. Sou o que sou, sou quem sou, e no fim
das contas: estou sendo.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Escoa
Hoje as lágrimas vieram, elas
simplesmente rolaram sobre o rosto. Agem como se já conhecessem os caminhos.
Elas são fortes demais, não posso pará-las ou dominá-las. Elas escoam,
percorrem e lavam, banham a alma. Possa até jogá-las pra longe, mas seria muito
rude com minhas companheiras. Sem dizer que afastar bruscamente não resolve,
são teimosas, elas retornam. Como é misterioso o mundo das lágrimas...
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Lugar no mundo
Pra onde fui não
cabia
Não cabia a você
Nem coube a mim
Mas mesmo assim fui
E no pequeno espaço
me apertei
Pois onde estava
antes não me cabia
E transito entre os
mundos
Procurando um que me
caiba
O mundo é tão vasto
O coração é tão
grande
A mente tão aberta
Meu eu tão pequeno
O que é grande demais
não me cabe
É tão vasto que me
perco
Nesse jogo de perder
e achar
Esqueço de me
encontrar
De me encontrar
De te encontrar
De encontrar um lugar
que me caiba
De me encontrar em
você
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
A arte de ser feliz (Cecília Meireles)
Houve um tempo em que a minha
janela se abria para um chalé.
Na porta do chalé brilhava
um grande ovo de louça azul.
Neste ovo costumava pousar
um pombo branco.
Ora, nos dias límpidos,
quando o céu ficava da mesma
cor do ovo de louça,
o pombo parecia pousado no ar.
Eu era criança,
achava essa ilusão maravilhosa e
sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha
janela dava para um canal.
No canal oscilava um barco.
Um barco carregado de flores.
Para onde iam aquelas flores?
Quem as comprava?
Em que jarra… em que sala,
diante de quem brilhavam,
na sua breve experiência?
E que mãos as tinham criado?
E que pessoas iam sorrir de
alegres ao recebê-las?
Eu não era mais criança,
porém minha alma ficava
completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha
janela se abria para um terreiro,
onde uma vasta mangueira
alargava sua copa redonda.
À sombra da árvore, numa esteira,
passava quase o dia todo sentada
uma mulher, cercada de crianças.
E contava histórias.
Eu não podia ouvir, da altura da janela,
e mesmo que a ouvisse, não entenderia,
porque isso foi muito longe,
num idioma difícil.
Mas as crianças tinham tal expressão
no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.
Houve um tempo em que na minha janela havia um
pequeno jardim seco.
Era um tempo de estiagem,
de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
homem com um balde e em silêncio,
ia atirando com a mão umas gotas
de água sobre as plantas.
Não era uma rega:
era uma espécie de aspersão ritual,
para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas,
para o homem, para as gotas de
água que caíam de seus dedos magros
e meu coração ficava
completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante
de cada janela, uns dizem que essas
coisas não existem, outros que só
existem diante das minhas janelas
e outros finalmente, que é preciso
aprender a olhar, para poder vê-las assim.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Dos anjos...

Acredito nos sonhos, nos amores, nas utopias. Acredito num amanhã possível, num futuro que pode ser hoje, que pode ser para todos e qualquer um de nós. Se assim não fosse, se minha crença não existisse, não teria força de escrever, de respirar, de viver.
Na minha vida (não sei se por coincidência, sorte, ou benesse de Deus) as coisas acontecem, as pessoas aparecem. É certo que algumas se vão, umas deixam saudades e outras não, mas há certas pessoas que funcionam como anjos da guarda, cuidam da gente com tanto amor que parece que somos pedacinhos dela.
E como retribuir toda a atenção, dedicação e amor que nos é presenteada? Não consigo imaginar como, nada que fizesse na vida poderia retribuir. De qualquer forma, duvido que esses anjos gostariam de receber algo em troca, não fazer por retribuição, fazem porque amam e isto basta.
Por isso acredito nos sonhos, nos amores, nas utopias, num amanhã possível, no futuro que pode ser hoje... Por causa desses anjos a vida passa a ter sentido, passa a valer à pena. Agradeço, pois hoje, por meus queridos anjos posso escrever, posso respirar, posso sonhar, posso, acima de tudo, viver e viver os sonhos.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Tristezas...
Estou com aquela sensação de que tem algo que está dentro de mim e quer sair, as vezes ele chega na garganta e parece que tem alguma conexão da garganta com os olhos. Digo isto porque na mesma hora os olhos ficam úmidos... Mas eu resisto, e esse algo desce, vai para o coração. Faz com que eu sinta ele bater e ouço cada retumbar, não sei o que é... Mas existe algo em mim. Quando menos espero meu corpo explode. Logo quando escrevo/grito. e assim que termino, não terminou. Sobra um nada em mim, uma sensação estranha... Aquela sensação que tem algo dentro de mim e quer sair...
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Sozinho
Suas frágeis e recolhidas asas
Estão simplesmente cansadas do puro céu azul
Você não precisa forçar o seu sorriso a ninguém
Não tem problema sorrir... para si mesmo
Você não fala nada
Mas os seus olhos falam por si só
E é eu não sei direito o que
Tente enterrar, tudo bem
Não precisamos daquele céu azul
Se estivermos livres para nadar
Mesmo que você não fale nada sobre o passado
Estarei lá para te encontrar amanhã
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Das facilidades da vida...
Coisa difícil é quando fere a quem ama... Complicado ser imune ao próprio veneno... Todos os dias acabo por me ferir na simples tentativa de te ver, te ver crescer forte, linda, de ser independente.
Coisa difícil é amar alguém... Amar alguém é permitir que saia do próprio casulo, ver ser borboleta e bater as asas fortes e voar. È difícil ver quem amamos bater asas e voar, sozinhas.
Coisa difícil é amar a si próprio... Amar a si é amar por completo, mesmo a escuridão que se carrega. Amar a si é permitir-se voar mesmo temendo a própria escuridão, e assim poder sentir o vento no bater das asas.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Busca
Todos queremos que a vida tenha algum tipo de significado. Parece que quanto mais velhos ficamos, mais o procuramos. E é mais difícil de encontrá-lo. E alguns de nós procuram no lugar errado. Mas se nossas vidas não tem significado, o que podemos deixar àqueles com quem nos importamos? O que eu deixarei? Não sei qual lado é qual, quem é quem. Não há mais ordem.
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